Carência Afetiva
A carência afetiva é um problema emocional complexo e que a maioria das pessoas nos tempos atuais sofrem.
A pessoa carente raramente consegue o que deseja (o afeto) de maneira apropriada e saudável e, por essa razão, a necessidade de afeto e atenção pode torná-las expostas a pessoas abusivas, fazendo com que elas vivam uma espécie de ciclo sem fim.
A carência em excesso pode ser perigosa. O indivíduo carente pode aceitar ser maltratado por pessoas abusivas para se sentir amado. Mesmo sabendo que aquele tipo de tratamento não é digno, o carente inventa histórias para justificar as atitudes grosseiras dos outros. Você, provavelmente, já deve ter ouvido falar de casos em que a pessoa se recusa a deixar um(a) parceiro(a) abusivo(a).
Por outro lado, o indivíduo carente pode ser o abusivo ao colar na outra pessoa. Ligações de madrugada, crises de ciúmes, chantagem emocional e a necessidade de controlar cada passo da outra pessoa são algumas das condutas nada apropriadas do carente afetivo.
Como resolver esse problema? É o que vamos ver neste post!
O que é carência afetiva?
A carência afetiva caracteriza-se por uma dependência acima do normal de outra pessoa. O indivíduo carente sente que precisa do outro para ser feliz e sentir-se amado. Assim, ele aceita qualquer tratamento, bom ou ruim, pelo medo de ficar sozinho. A submissão é um fator muito presente nessa condição.
Mesmo quando o parceiro demonstra, por meio de ações ou palavras, gostar da pessoa carente, ela não acredita totalmente. E esse “não acreditar” faz com que a pessoa carente tenha atitudes precipitadas e sem inteligência emocional, contribuindo, em muitos casos, para o afastamento do seu parceiro.
Pessoas carentes conseguem se manter bem por um determinado período. No entanto, a necessidade de afeto e atenção aumenta, trazendo insegurança para a relação. Esse ciclo emocional nunca cessa, e pode deixar ambas as pessoas do relacionamento emocionalmente exaustas.
Na verdade, o que o carente afetivo realmente busca é suprir um vazio emocional que não foi preenchido durante a infância (muito provavelmente) ou na adolescência. Uma desilusão amorosa muito grande, como uma traição, também pode deixar sequelas emocionais.
Ser carente não é, de fato, um problema. De vez em quando, as pessoas sentem o desejo e a necessidade de estarem com outras de uma maneira romântica. Namorar é gostoso, divertido e muito bom para a saúde mental. O problema se dá quando a carência é demasiada.
Sintomas da carência afetiva
São variados os sintomas da carência afetiva. Veja abaixo e confira se você consegue perceber alguns deles em seu comportamento:
- Submissão às outras pessoas;
- Medo de ficar sozinho ou de ser abandonado subitamente;
- Ciúme excessivo;
- Sentimento de inferioridade e baixa autoestima;
- Necessidade de confirmação do sentimento de amor da outra pessoa;
- Viver em função da vida do outro;
- Falta de individualidade;
- Crença de que apenas será feliz com o parceiro;
- Dependência do parceiro para tomar decisões e traçar objetivos;
- Busca por comportamentos ou palavras que podem indicar falta de afeição do parceiro;
- Insegurança;
- Dificuldade para controlar emoções; e
- Dependência emocional.

Como surge a carência afetiva?
A carência afetiva é resultado da falta de carinho. Este, por sua vez, é muito importante para o desenvolvimento dos seres humanos. Uma criança que não recebeu a quantidade adequada de afeição ou cuidado dos pais pode se transformar em um adulto emocionalmente desequilibrado.
Esse adulto pode buscar, desesperadamente, fontes de amor fora do seio familiar; não compreender sinais claros de carinho e da falta dele e/ou não saber como expressar as suas emoções de maneira saudável. A conduta “grudenta” e ansiosa do carente afetivo pode deixar os parceiros exaustos, e incentivar a sua partida.
Pessoas cujo longo relacionamento acabou abruptamente ou em virtude de acontecimentos muito estressantes, como uma traição ou a morte do parceiro, também podem se tornar muito carentes e ter dificuldade para encontrar novos parceiros.
A pessoa carente pode compreender que o seu comportamento não é muito saudável. Como a baixa autoestima anda junto com a carência afetiva, ela pode se recriminar por ter uma necessidade incontrolável de atenção ao invés de focar na solução dos seus incômodos emocionais.
Cada um sabe o que é melhor para si e tem desejos próprios, os quais podem levá-los a percorrer uma diversidade de caminhos ao longo da vida. Você pode ter amizades íntimas ou estar em um relacionamento considerado sólido, mas não controlar os sentimentos ou prever os comportamentos dessas pessoas.
Essa falta de conhecimento faz parte da vida. Se uma pessoa querida decidiu se mudar para longe ou o seu relacionamento não deu certo, não significa que você é o problema ou vai passar a vida toda sozinho. Sempre haverá mais oportunidades para se relacionar.
Para lidar com o desconhecido é preciso fortalecer a sua capacidade de adaptação às mudanças e voltar o olhar para o seu interior. Ter relacionamentos é importante, mas cuidar de si mesmo é ainda mais!
Como cultivar bons relacionamentos?
O segredo para manter bons relacionamentos durante a vida é começar com o relacionamento com você mesmo. Quando você é confiante e seguro de si, não corre atrás de migalhas de amor de outras pessoas.
Não sabe como fazer isso? Veja as dicas abaixo:
1. Aprenda a gostar de você
Fortalecer a sua autoestima é o primeiro passo para firmar um bom relacionamento amoroso e fazer amizades saudáveis. O carente afetivo raramente percebe as próprias qualidades ou se valoriza. Ele é o primeiro a apontar o que há de errado com ele, relembra os seus fracassos e se coloca como a vítima dos acontecimentos.
Pense por um segundo.
Por que você tem essa necessidade de estar sempre com o outro? O que o impede de aproveitar a sua própria companhia?
Você está fugindo de si mesmo? Saiba que é possível sentir-se pleno, amado e compreendido tendo, apenas, uma boa relação consigo mesmo. Você não precisa do outro para ser completo.
Além do mais, quando você se ama, você se fortalece. Você consegue lidar com desafios com a cabeça erguida e não ceder às pressões externas. Isso tudo porque você consegue encontrar a força dentro de si mesmo.
2. Construa a confiança no relacionamento
Os relacionamentos duradouros são repletos de confiança.
Quando você desconfia do parceiro, você vive atrás de evidências de traição e em busca de razões para ele ou ela partir. Pode chegar até a transgredir as barreiras da privacidade, bisbilhotando o celular alheio ou pertences pessoais. Desse modo, não consegue aproveitar os momentos bons nem criar lembranças calorosas do relacionamento para retomar no futuro.
Por que estar em um relacionamento se for para sofrer desse jeito?
Confiar no parceiro é fundamental para não o afastar com inseguranças descabidas. A confiança desvia o foco do desagradável e o direciona para o agradável. Entretanto, caso você desconfie que algo estranho realmente esteja acontecendo, converse com o parceiro diretamente e não banque o investigador.
3. Questione a sua necessidade por atenção
Como dito, reflita sobre o que o impede de ficar sozinho. Como você se sente quando está com alguém ou sozinho? Compare ambos os cenários para descobrir quais sentimentos atuam como empecilhos para você encontrar a felicidade sozinho.
Em seguida, pense no que você tanto busca no relacionamento com outras pessoas. Além de carinho, você deseja ser aceito, receber validação externa, ser compreendido, fazer parte de um grupo e/ou ser amado? Identificar os porquês pode ajudá-lo a descobrir por onde começar o seu processo de amar a si mesmo.
4. Veja as suas necessidades como prioridades
Será que você já se colocou em primeiro lugar?
As suas necessidades merecem ser sanadas, mas, não necessariamente por meio da companhia e/ou ajuda de outra pessoa. Existem diversas formas de satisfazer suas necessidades sociais, físicas, intelectuais, profissionais, emocionais, entre outras, e que não exigem a presença ou aprovação de terceiros.
Ao priorizar suas necessidades, você se dará o direito de recusar pedidos absurdos ou mesmo de não fazer algo contrário à sua vontade. Caso você se sinta desconfortável diante de algum pedido do seu parceiro, negue-o sem medo, mesmo que ele venha a ficar incomodado. Aproveite essas situações para certificar-se das reais intenções dele. Em relacionamentos sadios, o respeito pelos limites deve nortear a relação. Deve haver compreensão quando uma das partes não se sentir confortável com determinada situação, assim como deve-se evitar pressões para forçá-lo a agir em desacordo com seus desejos.
5. Peça ajuda
Se você não consegue compreender a origem da carência afetiva e nem quebrar antigos padrões comportamentais, busque ajuda profissional. Com a terapia, você vai aprender a controlar as suas emoções; não aceitar tratamentos desrespeitosos; vai descobrir porque se sente dessa forma e o que fazer para superar a dependência emocional.




